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domingo, 18 de janeiro de 2009

Perguntas e Respostas sobre blindagem

1. Depois de blindado, quantos quilos um carro passa a ter?
O peso acrescido ao veículo pela blindagem depende de dois fatores: 
a. nível de proteção da blindagem: quanto maior o nível de proteção, maior quantidade de material deve ser utilizada no processo de blindagem, e conseqüentemente, maior o peso acrescido ao carro. Deve-se tomar cuidado para não comparar blindagens feitas com tecnologias diferentes, como veremos a seguir.
b. tecnologia usada nos materiais utilizados: quanto maior a tecnologia utilizada na blindagem, menor o peso que ela apresentará. Como a tecnologia usada nos materiais de blindagem vem da indústria aeronáutica e o fator peso em aviões é crucial para o desempenho destes, as blindagens automotivas acabaram se beneficiando desses desenvolvimentos.
Em resumo:
- Blindagens de última tecnologia, para o nível IIIA da norma NIJ (resistente a projéteis de 44 magnum), devem acrescer cerca de 77 kg de vidro e 30 kg de painéis de Kevlar (aramida fabricada pela DuPont), totalizando cerca de 107 kg de materiais nobres.
- Blindagens de baixa tecnologia, feitas com vidros de 21 mm e painéis de aço, devem acrescer cerca de 120 kg de vidro e 147 kg de aço (peso total de 267 kg), ou seja, 140 kg a mais do que no carro descrito no item anterior.




2. Ao ser blindado, o veículo passa a ter um vidro novo ou o original é aproveitado como uma das matérias-primas do novo produto?
No processo de blindagem, TROCAM-SE TODOS OS VIDROS ORIGINAIS por vidros laminados, fabricados especialmente para resistir a impactos balísticos.



3. Qual a espessura de um vidro balístico?
Assim como o peso, a espessura do vidro balístico varia de acordo com o nível de resistência balística e a tecnologia empregada na fabricação do mesmo. Hoje, os vidros de maior nível tecnológico apresentam as seguintes espessuras nominais:
a. nível II da norma NIJ: 15 mm
b. nível IIIA da norma NIJ: 17 mm



4. É viável a blindagem apenas dos vidros de um veículo?
É possível teoricamente, porém isso não é recomendado por dois motivos:
a. os vidros são responsáveis por cerca de 70 % do custo de uma blindagem, ou seja, a economia não valeria o risco de deixar o carro exposto na parte opaca;
b. o carro ficaria "falsamente blindado", pois é impossível enxergar a blindagem opaca dentro da carroceria, o que levará seus usuários a terem uma "segurança falsa", que colocaria suas vidas em risco, o que é inaceitável.



5. Quanto custa uma blindagem de boa qualidade?
É difícil falar de valores médios, visto que os custos de montagem e desmontagem dos carros variam muito. Carros de alto luxo, cheios de acessórios e eletrônica, normalmente custam mais para serem blindados em relação às pick-ups diesel. O potencial cliente deve consultar várias opções de blindadoras estabelecidas, procurar por referências do trabalho das mesmas, verificar os tipos de materiais utilizados e os certificados de qualidade destes (principalmente os dos vidros) antes de tomar uma decisão.



6. Carros populares, como o Gol, por exemplo, podem ser blindados?
Não é recomendável blindar automóveis com menos de 90 HP, principalmente carros com motor 1.0. Os carros blindados utilizam a capacidade de carga útil especificada pelo fabricante para "carregar" a blindagem, como se fosse uma carga ou uma pessoa "gorda". Por isso, é recomendável que os carros blindados tenham folga de potência, o que geralmente acontece com motores acima de 1.6. Neste caso, blindagens de alta tecnologia são ainda mais desejáveis, pois sendo mais leves, sacrificam menos a carga útil dos pequenos automóveis.



7. De uma forma geral, quem são os usuários de um veículo blindado?
Com o aumento da oferta dos materiais de blindagem e do número de blindadoras no mercado, houve uma grande diminuição do preço da blindagem de veículos. Este fenômeno foi altamente benéfico para os consumidores, fazendo com que novos consumidores pudessem comprar um carro blindado. Hoje, encontramos grande parte desses veículos sendo vendidos na classe média.



8. Hoje, quais os modelos de veículos mais blindados no Brasil?
Golf, Audi A3, Marea e Ômega são os mais vendidos. Em segundo plano, ficam as SUV's (principalmente as Pajero), pick-ups pequenas (Fiat Adventure e Saveiro) e em terceiro plano, os demais carros importados (BMW série 3 e Mercedes C).



9. Há dados de quantos veículos blindados circulam no Brasil atualmente?
A frota brasileira tem por volta de 15 mil veículos blindados atualmente (segundo dados de novembro de 2002) e cresce cerca de 6 mil veículos por ano.



11. No caso de armas pesadas, como rifles ou fuzis, qual o maior calibre que um vidro blindado agüenta? Até que calibre e quantos impactos o pára-brisa de uma Blazer poderia suportar?
O nível de contenção balística admissível depende do projeto do vidro blindado em questão. É preciso levar em consideração qual a quantidade de energia que ele deverá suportar, bem como o tipo e a freqüência do projétil que será o vetor dessa energia. Praticamente não há limite para o nível de contenção balística de um vidro blindado. O pára-brisa de um automóvel de passeio pode conter projéteis de armas de mão até fuzis de alto calibre; tudo depende da tecnologia e do projeto do vidro. Mais informações podem ser conseguidas nos sites dos fabricantes:
www.gepco.com.br
www.agp.com
www.vitrotec.com.br
www.pilkington.com




12. Quem compra um carro blindado, além de fazer um seguro, faz também um seguro para a blindagem do carro? É comum fazer seguro para blindagens? Quanto custa esse tipo de cobertura?
O seguro de carros blindados vem se tornando comum à medida em que o próprio carro blindado vem se popularizando no país. Hoje, a blindagem de carro é vista como um acessório. Claro que há implicações nos riscos que a seguradora corre, tanto no caso de roubo como no de acidentes, o que faz com que a análise técnica deste tipo de seguro seja feita por especialistas.
Os preços variam de acordo com o nível da blindagem (proporcional à quantidade de material utilizada) e com o próprio valor de carro. Mais informações podem ser conseguidas nos próprios sites das companhias de seguro ou nas corretoras de seguros independentes.



13. Quais são os carros que já vêm blindados de fábrica no Brasil? Qual é a garantia deles?
Por enquanto, do ponto de vista técnico, não há nenhum carro nacional que tenha blindagem feita na própria montadora, ou seja, todos saem da fábrica inteiros (completamente montados) e são encaminhados para blindadoras. Essas empresas são especializadas em desmontar os carros, aplicar os materiais blindados como painéis balísticos e vidros blindados e remontar tudo no seu devido lugar e depois entregues ao usuário final.
A garantia dos carros blindados varia de empresa para empresa. É conveniente que ela seja dada por escrito. As montadoras, apesar de não terem uma política explícita para garantir carros blindados, têm tido o bom senso de se responsabilizar pelos pontos em que a blindagem não afeta o veículo.
Entre os pontos que devem ser considerados, destacam-se os seguintes: motor, câmbio e suspensão, nos casos de blindagens feitas com materiais leves que não ultrapassem significativamente a carga útil, deixando a garantia do acabamento, vidros, máquinas de porta e outros itens mais comprometidos pela blindagem sob a responsabilidade do blindador. Este esquema tem funcionado bem, e não se tem notícia de grandes problemas.




14. Gostaria de saber se não é recomendável manter os vidros abaixados? Existe alguma tecnologia que permita mantê-los abertos?
Nas blindagens usualmente feitas no Brasil, que protegem os ocupantes no nível IIIA da norma NIJ (National Institute of Justice, do governo dos EUA), não existe nenhum obstáculo técnico para que os vidros blindados funcionem normalmente.
O que acontece é que, por questão de segurança, costuma-se restringir a abertura dos vidros somente aos dianteiros, para que não fique inviável a utilização do carro blindado em estacionamentos de shopping centers, pagamento de pedágios, entre outros casos.
Tecnologicamente, todos os vidros poderiam funcionar normalmente. As blindadoras não o fazem para aumentar a segurança do usuário (um carro blindado com os vidros abertos deixa de ser blindado).



15. Existe uma espécie de validade para as blindagens? Se existir, o que deve ser observado na compra de um veículo usado blindado?
Carros blindados não são diferentes de carros normais, no que diz respeito à sua durabilidade. Entretanto, como "carregam peso extra" (as blindagens mais modernas acrescentam no máximo 150 kg ao veículo, o que equivale ao peso de dois adultos), deve-se levar em conta sua capacidade de carga total para não sobrecarregar o veículo.
A blindagem propriamente dita, compreendida como os vidros blindados, painéis balísticos de Kevlar e aço (utilizado nos "overlaps" e "frames"), não têm prazo de validade, podendo durar mais que o tempo de vida útil do veículo.



16. É possível blindar um micro ônibus ou uma van? Quem poderia efetuar tal serviço?
Não há nenhum obstáculo técnico que impeça a blindagem de vans ou ônibus. Existe no mercado uma grande quantidade de vans blindadas (Caravans,Carnivals, entre outros), bem como ônibus e micro ônibus. No caso de ônibus, a blindagem lateral seria facilitada pelo fato dos vidros serem planos, o que os tornam mais em conta que os curvos utilizados em automóveis. A maioria das blindadoras do país efetuam esse serviço.



17. Eu gostaria de saber se um vidro blindado (nível 3) agüenta um tiro disparado à queima-roupa pois os testes que eu vejo os vidros geralmente estão a uma distância de no mínimo dois metros do atirador. Além disso, gostaria de saber se os airbags laterais e 'windowbags" de certos automóveis são prejudicados pela blindagem quando entram em funcionamento
Nenhuma norma de aferição de resistência balística contempla disparos feitos à queima roupa, ou seja, todas elas especificam distâncias mínimas entre a saída do cano e o alvo. Esta distância varia de acordo com a norma e o nível balístico a ser aferido. Por exemplo, no caso da norma NIJ, para o nível 3A (resistência ao calibre .44 Magnum), é exigida uma distância de quatro metros; para o nível 3 (7.62 x 51 - fuzil FAL), exige-se 14 metros. Sabemos por experiência que disparos feitos mais próximos que os preconizados nas normas diminuem o poder de perfuração do projétil.
De acordo com Sr. Álvaro Vidigal, presidente da Câmara de Blindadores da ANDB e diretor da General Armoring, é possível manter o funcionamento de todos os air bags de um carro de última geração, inclusive aqueles posicionados nas colunas e teto dos carros. Para isso, no caso dos instalados nas colunas, basta instalá-los por cima da proteção de aço.



18. Tenho um Diplomata 92 blindado e os vidros laterais estão com bolhas de ar. Pelo que me informaram, isso não altera a proteção dos vidros mas altera a estética do carro. Isto pode ser resolvido de que modo? Arruma-se? Troca-se? Quanto custaria?
O fenômeno descrito chama-se delaminação, que é a separação dos componentes laminados no vidro balístico. Pela idade do carro (mais de 10 anos), dificilmente seria viável consertar este problema, pois os componentes de ligação das lâminas de vidro já devem ter deixado de ter capacidade de colagem. O correto seria trocar os vidros por um conjunto novo. Quanto à proteção balística, vidros delaminados em grandes áreas perdem sua capacidade de contenção, o quê é mais um motivo para substituí-los.



19. Não são vendidos automóveis com blindagem nível IV no Brasil? Esse não é o único nível para uso civil que resiste a tiros de fuzil calibre 5,56 e 7,62?
O nível 4 da norma NIJ protege contra disparos de projéteis 30.06 AP, que são mais energéticos que os .556(AR-15) e os 7.62 (FAL). Este tipo de blindagem é proibida no Brasil segundo a portaria 13 do DELOG do dia 19/8/2003. Custa aproximadamente 10 (dez) vezes mais que uma blindagem nível 3A, sendo muito mais complexa no que diz respeito aos materiais aplicados e ao projeto de aplicação. Os únicos veículos que são normalmente blindados para armas longas (NIJ 3) são os carros-fortes de transporte de valores.

2 comentários:

walterleiros disse...

Prezados Editores da Liga Leve, meu nome e Walter Leiros de Natal RN, sou estudande do curso de gestão de segurança privada e tenho as seguintes dúvidas sobre Blindagem:
- 03 projéteis no mesmo lugar furam a blindagem?
- Qual o mais próximo local de blindagem do RN?
- Existem locadoras de veículos blindados?
- Há maior desgaste do veículo blindado?
- A blindagem afeta a estabilidade?
- O veículo blindado exige manutenção especial?
- Qual o tempo para que o veículo mantenha sua condições de segurança e porque?
- Como preparar o motorista para o uso do veículo blindado? O passageiro precisa ser treinado?

Fernando Dondeo disse...

Boa tarde caro leitor. Vamos às respostas de suas dúvidas.

1) Em média a blindagem agüenta de três a cinco tiros no mesmo lugar sem atravessar o outro lado. Importante salientar que a defesa defensiva e manobras evasivas são fundamentais em caso do motorista ser ameaçado, ou seja, ele nunca está 100% isento, deve combinar habilidade de fuga com blindagem. A penetração vai variar de acordo com o calibre do projétil.

2) Desconhecemos o mercado de blindagem em Natal, mas temos conhecimento de conceituadas empresas em Pernambuco.

3) Sim, o mercado de locação de blindados está em crescimento desde 2001 principalmente no mercado executivo, segundo a ABLA (Associação Brasileira de Locação de Automóveis).

4) Sim, desde amortecedores, pneus, e até desempenho dos motores, possuem o tempo de vida reduzida devido ao peso acrescentado ao carro. Por isso, muitas blindadoras buscam a redução do peso dos materiais utilizados. Mas não devem esquecer-se dos itens básicos de segurança, pois esta redução deve ter um limite.

5) Sim, mesmo a blindagem mais leve já adiciona um peço extra enorme. Os amortecedores originais perdem uma boa parte de sua função devido a este peso extra, a sensação é de estar pilotando um carro somente com molas, ele emborca muito nas curvas e qualquer buraco ou lombada balança bastante. Para resolver este problema é necessário a instalação de amortecedores com maior pressão para ficar semelhante à estabilidade original.

6) Sim, exige. O desgaste como dito anteriormente é maior e devem sempre procurar empresas especializadas no ramo, itens como manutenção e reparos de vidros blindados, manchas, bolhas nos vidros e delaminação, reparos nos vidros e nas mantas de proteção da carcaça do veículo, assim como reparos e trocas de mantas em veículos acidentados por batidas e colisão, são alguns exemplos.

7) Empresários do setor garantem que os materiais utilizados na blindagem têm durabilidade indefinida. Mas, devido ao peso extra (de 100 a 400 quilos, dependendo do nível de segurança), alguns componentes do veículo podem sofrer desgaste prematuro e por isso devem ser sempre checados. As garantias contra defeito de fabricação ficam em média em 5 anos. Exija sempre a certificação e garantia. Nossa sugestão é: Verifique periodicamente as máquinas dos vidros, os sistemas de freio e suspensão, o estado dos pneus e da fixação das portas.

8) Como já dito, a direção defensiva e manobras evasivas são vitais para sua proteção. A BMW, por exemplo, fornece este curso aos seus clientes. A direção é a mesma, mas tem um detalhe importante: Blindar um automóvel no Brasil significa, na maioria dos casos, abrir mão dos anos de garantia do veículo. Algumas concessionárias fazem parcerias com blindadoras e afirmam que o automóvel não perderá a garantia. Porém os serviços de revisão e reparos ficam restritos a essas revendas porque quem realmente dá garantia é a loja e não o fabricante. Como a blindagem implica a desmontagem de quase todo o carro e interfere na suspensão, na parte elétrica, nos freios e no acabamento, o fabricante tem o direito de recusar o atendimento.