O peso acrescido ao veículo pela blindagem depende de dois fatores:
a. nível de proteção da blindagem: quanto maior o nível de proteção, maior quantidade de material deve ser utilizada no processo de blindagem, e conseqüentemente, maior o peso acrescido ao carro. Deve-se tomar cuidado para não comparar blindagens feitas com tecnologias diferentes, como veremos a seguir.
b. tecnologia usada nos materiais utilizados: quanto maior a tecnologia utilizada na blindagem, menor o peso que ela apresentará. Como a tecnologia usada nos materiais de blindagem vem da indústria aeronáutica e o fator peso em aviões é crucial para o desempenho destes, as blindagens automotivas acabaram se beneficiando desses desenvolvimentos.
Em resumo:
- Blindagens de última tecnologia, para o nível IIIA da norma NIJ (resistente a projéteis de 44 magnum), devem acrescer cerca de 77 kg de vidro e 30 kg de painéis de Kevlar (aramida fabricada pela DuPont), totalizando cerca de 107 kg de materiais nobres.
- Blindagens de baixa tecnologia, feitas com vidros de 21 mm e painéis de aço, devem acrescer cerca de 120 kg de vidro e 147 kg de aço (peso total de 267 kg), ou seja, 140 kg a mais do que no carro descrito no item anterior.
No processo de blindagem, TROCAM-SE TODOS OS VIDROS ORIGINAIS por vidros laminados, fabricados especialmente para resistir a impactos balísticos.
Assim como o peso, a espessura do vidro balístico varia de acordo com o nível de resistência balística e a tecnologia empregada na fabricação do mesmo. Hoje, os vidros de maior nível tecnológico apresentam as seguintes espessuras nominais:
a. nível II da norma NIJ: 15 mm
b. nível IIIA da norma NIJ: 17 mm
É possível teoricamente, porém isso não é recomendado por dois motivos:
a. os vidros são responsáveis por cerca de 70 % do custo de uma blindagem, ou seja, a economia não valeria o risco de deixar o carro exposto na parte opaca;
b. o carro ficaria "falsamente blindado", pois é impossível enxergar a blindagem opaca dentro da carroceria, o que levará seus usuários a terem uma "segurança falsa", que colocaria suas vidas em risco, o que é inaceitável.
É difícil falar de valores médios, visto que os custos de montagem e desmontagem dos carros variam muito. Carros de alto luxo, cheios de acessórios e eletrônica, normalmente custam mais para serem blindados em relação às pick-ups diesel. O potencial cliente deve consultar várias opções de blindadoras estabelecidas, procurar por referências do trabalho das mesmas, verificar os tipos de materiais utilizados e os certificados de qualidade destes (principalmente os dos vidros) antes de tomar uma decisão.
Não é recomendável blindar automóveis com menos de 90 HP, principalmente carros com motor 1.0. Os carros blindados utilizam a capacidade de carga útil especificada pelo fabricante para "carregar" a blindagem, como se fosse uma carga ou uma pessoa "gorda". Por isso, é recomendável que os carros blindados tenham folga de potência, o que geralmente acontece com motores acima de 1.6. Neste caso, blindagens de alta tecnologia são ainda mais desejáveis, pois sendo mais leves, sacrificam menos a carga útil dos pequenos automóveis.
Com o aumento da oferta dos materiais de blindagem e do número de blindadoras no mercado, houve uma grande diminuição do preço da blindagem de veículos. Este fenômeno foi altamente benéfico para os consumidores, fazendo com que novos consumidores pudessem comprar um carro blindado. Hoje, encontramos grande parte desses veículos sendo vendidos na classe média.
Golf, Audi A3, Marea e Ômega são os mais vendidos. Em segundo plano, ficam as SUV's (principalmente as Pajero), pick-ups pequenas (Fiat Adventure e Saveiro) e em terceiro plano, os demais carros importados (BMW série 3 e Mercedes C).
A frota brasileira tem por volta de 15 mil veículos blindados atualmente (segundo dados de novembro de 2002) e cresce cerca de 6 mil veículos por ano.
Aproximadamente 500 carros.
O nível de contenção balística admissível depende do projeto do vidro blindado em questão. É preciso levar em consideração qual a quantidade de energia que ele deverá suportar, bem como o tipo e a freqüência do projétil que será o vetor dessa energia. Praticamente não há limite para o nível de contenção balística de um vidro blindado. O pára-brisa de um automóvel de passeio pode conter projéteis de armas de mão até fuzis de alto calibre; tudo depende da tecnologia e do projeto do vidro. Mais informações podem ser conseguidas nos sites dos fabricantes:
www.gepco.com.br
www.agp.com
www.vitrotec.com.br
www.pilkington.com
O seguro de carros blindados vem se tornando comum à medida em que o próprio carro blindado vem se popularizando no país. Hoje, a blindagem de carro é vista como um acessório. Claro que há implicações nos riscos que a seguradora corre, tanto no caso de roubo como no de acidentes, o que faz com que a análise técnica deste tipo de seguro seja feita por especialistas.
Por enquanto, do ponto de vista técnico, não há nenhum carro nacional que tenha blindagem feita na própria montadora, ou seja, todos saem da fábrica inteiros (completamente montados) e são encaminhados para blindadoras. Essas empresas são especializadas em desmontar os carros, aplicar os materiais blindados como painéis balísticos e vidros blindados e remontar tudo no seu devido lugar e depois entregues ao usuário final.
Nas blindagens usualmente feitas no Brasil, que protegem os ocupantes no nível IIIA da norma NIJ (National Institute of Justice, do governo dos EUA), não existe nenhum obstáculo técnico para que os vidros blindados funcionem normalmente.
Carros blindados não são diferentes de carros normais, no que diz respeito à sua durabilidade. Entretanto, como "carregam peso extra" (as blindagens mais modernas acrescentam no máximo 150 kg ao veículo, o que equivale ao peso de dois adultos), deve-se levar em conta sua capacidade de carga total para não sobrecarregar o veículo.
Não há nenhum obstáculo técnico que impeça a blindagem de vans ou ônibus. Existe no mercado uma grande quantidade de vans blindadas (Caravans,Carnivals, entre outros), bem como ônibus e micro ônibus. No caso de ônibus, a blindagem lateral seria facilitada pelo fato dos vidros serem planos, o que os tornam mais em conta que os curvos utilizados em automóveis. A maioria das blindadoras do país efetuam esse serviço.
Nenhuma norma de aferição de resistência balística contempla disparos feitos à queima roupa, ou seja, todas elas especificam distâncias mínimas entre a saída do cano e o alvo. Esta distância varia de acordo com a norma e o nível balístico a ser aferido. Por exemplo, no caso da norma NIJ, para o nível 3A (resistência ao calibre .44 Magnum), é exigida uma distância de quatro metros; para o nível 3 (7.62 x 51 - fuzil FAL), exige-se 14 metros. Sabemos por experiência que disparos feitos mais próximos que os preconizados nas normas diminuem o poder de perfuração do projétil.
O fenômeno descrito chama-se delaminação, que é a separação dos componentes laminados no vidro balístico. Pela idade do carro (mais de 10 anos), dificilmente seria viável consertar este problema, pois os componentes de ligação das lâminas de vidro já devem ter deixado de ter capacidade de colagem. O correto seria trocar os vidros por um conjunto novo. Quanto à proteção balística, vidros delaminados em grandes áreas perdem sua capacidade de contenção, o quê é mais um motivo para substituí-los.
O nível 4 da norma NIJ protege contra disparos de projéteis 30.06 AP, que são mais energéticos que os .556(AR-15) e os 7.62 (FAL). Este tipo de blindagem é proibida no Brasil segundo a portaria 13 do DELOG do dia 19/8/2003. Custa aproximadamente 10 (dez) vezes mais que uma blindagem nível 3A, sendo muito mais complexa no que diz respeito aos materiais aplicados e ao projeto de aplicação. Os únicos veículos que são normalmente blindados para armas longas (NIJ 3) são os carros-fortes de transporte de valores.
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